Surpresas nas cascas de cebolas

Depois de conhecer as surpresas escondidas nas cascas de cebolas, você nunca mais vai jogá-las fora.

Além dos benefícios fornecidos pelas cascas de cebolas, existe um argumento a mais para não jogá-las fora: o Brasil produz 250 mil toneladas diárias de lixo – e mais da metade (52%) é orgânico: cascas, talos, alimentos não aproveitados, tudo sem aproveitamento.

As cascas de cebolas podem ser utilizadas para tornar as refeições mais nutritivas, em tratamentos tópicos para cicatrização e até para alisar os cabelos de forma natural.

Em 2015, um estudo conduzido pelo Instituto da Saúde Humana da Universidade da Carolina do Norte, revelou que as cascas de cebolas são ricas em antioxidantes, com destaque para a quercetina, um anti-inflamatório que combate o mau colesterol e diversas alergias, algumas formas de câncer, controla a pressão arterial (evitando problemas cardiovasculares, como infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais) e alivia os sintomas da depressão.

A melhor forma de aproveitar os nutrientes da quercetina é adicionar as cascas de cebola no cozimento de sopas, do feijão ou do arroz, quando a água começa a ferver. O ideal é usar cebola branca, para não alterar a cor dos alimentos, mas cozinheiros criativos podem aproveitar para dar uma “cara nova” aos pratos. O sabor e o aroma não são alterados.

As causas

Mas, qual é o motivo de os compostos vegetais serem tão importantes para a nossa saúde e bem-estar? Os pesquisadores explicam: as plantas não podem se mover e, por isto, desenvolvem substâncias não apenas para o desenvolvimento, mas também para a regeneração e para afastar ameaças do ambiente em que vivem.

A maioria destas substâncias protetoras e fortalecedoras está concentrada nas peles e cascas (inclusive das cebolas), para mais bem defender as estruturas internas dos vegetais. Ao utilizarmos este “lixo”, estamos apenas transferindo os benefícios para o nosso organismo.

As cebolas (tanto o bulbo, quanto a casca) são ricas em nutrientes, como cálcio, enxofre, ferro, flúor, fósforo, iodo, magnésio, silicatos (compostos de silício e oxigênio) e sódio, além das vitaminas A, do complexo B (B1, B2 e B3) e C.

Cem gramas de cebola (que pode ser picada juntamente com as cascas, para aumentar o poder nutricional), fornecem apenas 33 kcal e 0,3 gramas de gorduras totais. Por isto, a ingestão deve ser diária, para garantir todos os benefícios.

Pele e cabelos

Seja qual for a causa das coceiras (inclusive a sarna), o chá de cascas de cebolas pode ser empregado para lavar a região afetada. O alívio é rápido e duradouro.

Em função das propriedades analgésicas, antibacterianas e anti-inflamatórias, o chá de cascas de cebola é um medicamento natural bastante eficaz no tratamento tópico de ferimentos abertos e de picadas de animais peçonhentos. Basta macerar as folhas e aplicar sobre a região.

Para alisar os cabelos, a cebola também entra em cena: ferva dois copos de água (500 ml) e adicione um punhado generoso de cascas (três ou quatro, de acordo com o tamanho das cebolas) em infusão durante 15 minutos.

Depois da lavagem dos cabelos, enxágue com este chá e deixe os fios se secarem naturalmente. Além do alisamento, as cascas aumentam o brilho e a maciez. Se quiser clarear ligeiramente os frios, deixe que eles se sequem ao Sol, sem secadores nem toalhas.

O cheiro forte e o gosto ácido das cebolas, responsáveis por muitas lágrimas, não está presente nas cascas, mas no interior. As “culpadas” são as alinases (tipos de enzimas), liberadas quando se corta uma cebola. A maior concentração está no centro dos bulbos, em uma cápsula aparentemente oca. Estes compostos reagem com os óxidos sulfúricos presentes nas demais camadas e a substância se transforma em um gás volátil, que rapidamente atinge as glândulas lacrimais e as papilas gustativas.

Perda de peso

As cascas da cebola também são úteis para quem está em guerra com a balança e quer ou precisa perder peso para recuperar a boa forma e também manter a saúde e o bem-estar.

Um suco de cebola é um bom auxiliar. Retire o mínimo possível da casca e fatie uma cebola de tamanho médio. Vale lembrar que a variedade roxa deste bulbo fornece um teor ainda mais elevado de substâncias antioxidantes.

Este suco também pode ser aplicado no couro cabeludo, para o tratamento de caspa e de queda de cabelos.

Coloque três copos de água em uma panela, acrescente a cebola fatiada e cozinhe em fogo brando por dez minutos, até que as fatias se tornem transparentes. Apague o fogo, espere esfriar, bata tudo no liquidificador e beba um copo antes das refeições, sem coar nem acrescentar açúcar ou adoçante.

O chá de cascas de cebola é outra excelente opção. Com propriedades diuréticas, ele combate o inchaço abdominal e renova as funções renais. Basta ferver as cascas por dez minutos e coar antes de ingerir. Este chá é indicado também para tratar doenças das vias respiratórias, atenuar a tosse e a dor de garganta.

Um pouco de história

As cebolas são cultivadas há mais de quatro mil anos pela humanidade. Antes disto, é bastante provável que variedades selvagens fossem coletadas nas matas pelos nossos ancestrais. Alguns tratados de medicina do Egito Antigo já enalteciam as virtudes destes bulbos no tratamento de uma série de enfermidades.

Muitos faraós foram sepultados com réstias de cebolas, além de outros alimentos e utensílios. Acredita-se que os egípcios atribuíam características sagradas ao vegetal, que teriam o poder de elevar os soberanos à morada dos deuses. Quase certamente, as propriedades antissépticas das cebolas foram empregadas nos processos de mumificação.

O imperador romano Nero costumava usar cascas de cebolas para o tratamento de gripes e resfriados. Durante a Idade Média, foram empregadas para tratar peste bubônica e cólera, mas não há comprovação científica sobre a eficácia da terapia.

No Brasil, as primeiras cebolas chegaram nas caravelas, na bagagem dos primeiros colonizadores portugueses. O tempero e o medicamento caíram no gosto popular e atualmente é um dos principais ingredientes da nossa culinária: cada brasileiro consome seis quilos do vegetal a cada ano; já é tempo de consumir também as cascas.

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