Os riscos da barriga saliente

Não se trata apenas de um problema estético. Conheça os riscos da barriga saliente para a saúde.

Em uma avaliação biométrica, não basta conferir se o peso corporal está nos limites condizentes, de acordo com idade, sexo e constituição física. Uma barriga saliente pode causar sérios riscos para a saúde, no médio e longo prazos.

As medidas adequadas da circunferência abdominal são de 94 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres. Oito centímetros acima disto já acendem o sinal amarelo: acima disto, a barriga saliente não oferece mais riscos: ela certamente já está contribuindo para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares.

Um estudo definitivo

Definitivo e com resultados preocupantes. Pesquisadores da Clínica Mayo, organização norte-americana sem fins lucrativos com sede em Rochester (Minnesota), Phoenix (Arizona) e Jacksonville (Flórida) acompanhou mais de 12 mil voluntários de ambos os sexos, maiores de 18 anos (a idade média foi de 44 anos), entre 2000 e 2014.

Os resultados foram tabulados e incluídos no terceiro levantamento nacional de saúde e nutrição, uma espécie de radiografia das condições físicas da população americana, que serve como parâmetro técnico para implantar novas diretrizes de saúde pública.

Os 12.785 voluntários foram avaliados clinicamente e tiveram mensuradas diversas medidas corporais, tais como peso, altura, circunferência da cintura e do quadril, além de dados socioeconômicos e histórico pessoal e familiar de saúde.

Um dos resultados mais avassaladores foi a conclusão de que, entre pessoas com peso considerado normal, mas portadoras da chamada barriga saliente (no Brasil, carinhosamente chamada de “barriguinha de chope”), frequência e a morbidade de doenças cardiovasculares era significativamente maior.

Para definir o peso normal, utilizou-se o IMC (Índice de Massa Corporal, medida internacional obtida através da divisão da massa corporal [em quilos] pelo quadrado da altura [em centímetros]; considera-se normal um IMC entre 18,5 e 24,9).

Nos EUA, os riscos de morrer de doenças cardiovasculares foram 2,75 vezes mais altos entre os “barrigudinhos” com IMC normal (portanto, pessoas com peso adequado, mas com cintura abdominal acima dos limites preconizados). Os riscos de contrair estas doenças é 2,08 mais elevados, o que demonstra de forma ainda mais cabal o perigo do excesso de gordura no abdômen.

Diversos estudos anteriores já haviam comprovado que o percentual de massa gorda é prejudicial. O estudo da Clínica Mayo trouxe outro alerta: a distribuição da gordura no organismo também está relacionada à perda da saúde e da qualidade de vida, mesmo entre pessoas consideradas magras.

Os magros de barriga saliente são mais propensos aos riscos de disfunções vasculares do que os obesos de grau I (IMC entre 30 e 34,9). Os problemas não se restringem ao sistema circulatório, apesar de ser este sistema o determinante do maior número de óbitos.

Pessoas com barriga saliente sofrem transtornos respiratórios, renais, hepáticos, desenvolvem mais casos de diabetes tipo 2 e tem a vida prejudicada pelas lesões nos ossos, músculos, tendões e articulações, comprometendo seriamente a qualidade de vida. Atividades profissionais que exigem esforço físico também se ressentem de prejuízos sérios.

Mais estudos

Profissionais de saúde adeptos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) estudaram 300 mil voluntários residentes em nove países da Europa. A pesquisa, publicada no “New England Journal of Medicine”, constatou que um aumento de apenas cinco centímetros na cintura é responsável pelo aumento dos riscos de morte entre 13% (nas mulheres) e 17% (nos homens).

Para a MTC, a forma do corpo é um reflexo do funcionamento da fisiologia energética. Desta forma, as dimensões físicas refletem a energia (jing) da ancestralidade (gens) e o seu desenvolvimento está relacionado diretamente a expansão da energia.

Sem esta expansão, ocorre, por exemplo, um retardo no desenvolvimento físico. Por outro lado, a estagnação desta energia (a não circulação ou circulação insatisfatória do jing) determina um excesso de peso corporal, com todas as limitações decorrentes.

Esta estagnação leva a um círculo vicioso: a gordura abdominal exagerada prejudica o fluxo energético de todos os órgãos do ventre, e isto causa a produção ainda maior desta gordura. A morte é o resultado natural deste acúmulo desnecessário e maléfico, uma vez que ele gera disfunções e propicia o estabelecimento de doenças metabólicas, como o diabetes, o desequilíbrio do colesterol e o aumento da taxa de triglicerídeos na corrente sanguínea.

Outro estudo americano, desenvolvido pelo Laboratório de Metabolismo e Saúde da População do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (sediado em Framimgham, Massachusetts), reuniu 3.086 pessoas com idade média de 50 anos, acompanhadas entre 2006 e 2013 através de avaliações clínicas e exames de tomografia computadorizada.

A pesquisa, publicada em 2013 no “Journal of the American College of Cardiology”, concluiu que a gordura abdominal excessiva é responsável por um número 20% maior de casos de câncer e 35% de doenças cardíacas do que os verificados entre os voluntários com excesso de gordura no quadril e na parte interna das coxas.

A boa notícia é que, ao menos nos casos mais moderados, a tendência ao desenvolvimento de doenças severamente incapacitantes pode ser revertida com a perda da barriga saliente. O risco maior está na gordura visceral (que se deposita entre os órgãos abdominais), que é mais difícil de ser combatida do que a gordura subcutânea, que forma os chamados pneuzinhos.

Nada, no entanto, que bons hábitos alimentares, controle do estresse e da ansiedade, cultivo de amizades e amores e exercícios leves por 30 minutos a cada dois dias não consigam resolver.

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