Dieta cetogênica: prós e contras

Trata-se de uma dieta com restrições ao consumo de carboidratos. Conheça os prós e contras da dieta cetogênica.

Assim como a dieta do Dr. Atkins, a do Ponto Z (criada pelo bioquímico americano Barry Sears) e a de South Beach (do cardiologista também americano Arthur Agatston), entre outras, a dieta cetogênica propõe a redução (em níveis relativamente drásticos) da ingestão de carboidratos.

A ideia é simples: privado da fonte primária de energia, o organismo tem de encontrar alternativas, “queimando” proteínas e gorduras, em um processo conhecido como cetose. Este processo metabólico produz os chamados “corpos cetônicos”, gerados com a quebra, pelo fígado, de ácidos graxos, que assumem, na carência dos carboidratos, a geração da energia necessária para as atividades celulares.

Carboidratos são vilões?

Especialistas em nutrição não são unânimes na hora de identificar culpados. Na maioria das dietas de restrição alimentar, gorduras simples e carboidratos se revezam nos papéis dos vilões. Até hoje, as proteínas (classificadas como alimentos construtores, uma vez que participam da produção dos músculos), ainda não foram consideradas estraga-regimes.

A realidade, no entanto, parece ser um pouco mais complexa do que a composição do cardápio. A nossa herança genética – o ácido desoxirribonucleico (DNA) transmitido por nossos pais –, interfere diretamente na maneira com que absorvemos os nutrientes absorvidos através das refeições. Isto explica, por exemplo, aquela nossa amiga supermagra que não abre mão de uma feijoada ou de uma lasanha. Mas mesmo ela, acreditem, pode sofrer alterações hormonais determinantes de profundas alterações no panorama – e também na silhueta.

Embora ainda não exista uma resposta científica definitiva, são raras as dietas da moda que não preconizam algumas restrições drásticas. Não estamos falando de regimes malucos, como ingerir apenas alface, ovos de galinha ou alguns produtos industrializados anunciados como miraculosos.

Funções dos alimentos cetogênica

A dieta cetogênica se baseia em conceitos técnicos respaldados pela ciência médica. O nosso organismo, em face da carência de energia, cujas fontes básicas são os carboidratos e, em segundo lugar, as gorduras, começará a “queimar” proteínas. Aí está, no entanto, a origem dos problemas desta dieta, de acordo com os seus detratores. A cetose é uma medida extrema, já que os nutrientes atendem a necessidades específicas do organismo animal. Em linhas gerais, são os seguintes:

• carboidratos – são a fonte principal de energia. Os açúcares, lentamente convertidos em glicose (as moléculas de frutose, lactose, maltose e outros açúcares são transformadas na fórmula básica C6H12O6 – seis átomos de carbono, 12 de hidrogênio e seis de carbono). Esta, combinada com gás oxigênio (O2, obtido através da respiração pulmonar), cria a “gasolina” do nosso organismo;

• gorduras – são a principal fonte energética da alimentação: um grama de gordura fornece nove calorias. As células adiposas absorvem o nutriente, que permanece disponível em casos de escassez. Do peso de um homem adulto, 15% correspondem a estes nutrientes; nas mulheres, eles são responsáveis por até um quarto do peso. As gorduras são responsáveis também pelo transporte das vitaminas A, D, E e K, que são lipossolúveis. Em uma dieta diária de duas mil calorias, é preciso ingerir 20 gramas de gorduras, para que não ocorra hipovitaminose;

• proteínas – são responsáveis pela “construção” do nosso organismo. As proteínas são constituintes básicos das fibras musculares, dentes, cabelos e ossos. A fenilalanina, por exemplo, um aminoácido essencial (não produzido pelo organismo humano) encontrado nas proteínas de origem vegetal e animal, é precursora da melanina, molécula responsável pela cor da nossa pele. Ao contrário das gorduras e carboidratos, as proteínas não são estocadas no organismo e precisam ser repostas diariamente (dois gramas por quilo do peso corporal, para pessoas com atividade física média).

Alimentos permitidos na dieta cetogênica

Antes de dar início a uma dieta para perder peso, o ideal é submeter-se a uma avaliação médica, para verificar as condições gerais de saúde e identificar eventuais carências, que podem ser potencializadas quando se adota um regime sem supervisão, especialmente aquele que fez “maravilhas” com um parente ou amigo: cada organismo tem as suas peculiaridades.

Em linhas gerais, a dieta cetogênica incentiva o consumo de alimentos ricos em gorduras e proteínas; a quantidade diária, porém, depende de diversas características individuais, tais como: idade, sexo, constituição corporal (índices de massa magra e gorda, por exemplo) e nível de atividade física. Confira alguns exemplos de alimentos liberados:

• leite e derivados (queijo, creme de leite, iogurte, etc.);
• carnes em geral (cortes suínos e bovinos, peixes, aves, etc.);
• ovos;
• frutos do mar;
• azeite e outros óleos vegetais (inclusive o de coco);
• frutas gordurosas (como abacate e coco);
• oleaginosas (nozes, amêndoas, avelãs, castanhas, etc.);
• café e chá;
• verduras e legumes.

Os alimentos de consumo restrito são os ricos em carboidratos:

• arroz;
• batata;
• macarrão (massas em geral);
• alimentos derivados de milho e trigo;
• mel
• banana, uva, cereja, manga, maçã, pera, kiwi, laranja, abacaxi e figo;
• cenoura, beterraba, brócolis, couve-flor, batata-doce e berinjela;
• leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico, etc.).

Prós e contras da dieta cetogênica

Apesar de estar na raiz de muitos regimes badalados, a dieta cetogênica não é uma descoberta recente: ela já vem sendo empregada desde os anos 1920 – mas, para tratamento da epilepsia, condição causada por transtornos neurológicos. A epilepsia afeta cerca de 1% dos americanos.

Para fins de redução de peso, a dieta cetogênica é um modelo nutricional baseado no consumo alto de gorduras, moderado de proteínas e baixo de carboidratos (apenas 15% do total). Desta forma, o fígado passa a realizar a queima incompleta de gorduras. O material não aproveitado se converte em corpos cetônicos, que são eliminados pela urina.

A maior ingestão de gorduras proporciona sensação de saciedade mais rápida e prolongada. Sentindo-se satisfeito, o indivíduo come menos e perde peso naturalmente. Efetivamente, alimentos ricos em gorduras permanecem por mais tempo no estômago. Com o órgão dilatado, a fome demora mais tempo para se manifestar.

A dieta, no entanto, não resolve o problema dos comedores compulsivos, cujo sistema nervoso não consegue decifrar com eficiência os sinais de “chega” emitidos pelo cérebro. Além disto, nós não comemos apenas quando sentimos fome.

Além dos estímulos (principalmente visuais e olfativos), muitos estados emocionais despertam o apetite (como a tristeza e a ansiedade, por exemplo).

O principal benefício da dieta cetogênica é a perda rápida de peso. Observando estritamente as orientações do nutricionista, é possível perder de quatro a seis quilos por semana. Esta vantagem, no entanto, traz embutido o risco do efeito sanfona (perda rápida de peso seguida por recuperação igualmente rápida, muitas vezes acompanhada por alguns quilos extras).

Outro efeito colateral precisa ser muito bem avaliado: a possibilidade de hipoglicemia (queda brusca no nível de açúcar no sangue), cujos principais sintomas são: transpiração excessiva, vertigem, fraqueza orgânica e náuseas.

A dieta cetogênica é uma estratégia de curto prazo (por exemplo, para poder usar um vestido dois números abaixo do manequim em uma festa marcada para dois meses depois). Ela não deve ser adotada por longos períodos, uma vez que o aumento do consumo de gorduras saturadas altera os níveis de colesterol e dos triglicerídeos.

Em função das restrições ao consumo de frutas, verduras e legumes, alguns indivíduos podem sofrer problemas gastrointestinais, como flatulência e prisão de ventre. Em casos mais severos, podem ocorrer deficiências de vitaminas e sais minerais, que podem levar a desequilíbrios orgânicos mais ou menos graves.

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