Dicas para deixar de roncar

Roncar não é apenas um constrangimento: pode ser sinal de problemas mais graves.

Alvo de piadas, roncar não é uma situação agradável. Além disto, o transtorno pode indicar a presença de algumas doenças. Seja como for, quem ronca durante períodos mais ou menos longos pode prejudicar a saúde, além de ter reduzidos os efeitos benéficos do descanso noturno. Confira algumas dicas para deixar de roncar.

Antes disto, porém, o que significa roncar? Significa uma situação bastante incômoda, geralmente acompanhada por uma plateia bastante seleta: o parceiro de cama ou de quarto. O dia se encerra, a noite convida para o repouso, o silêncio toma conta do ambiente e, num passe de mágica, surge uma sinfonia de sons estranhos e desagradáveis.

Roncar significa emitir ruídos, silvos e engasgos, entremeados por breves pausas na respiração: é a apneia do sono, causa mais frequente do distúrbio, da qual falaremos mais adiante. Por enquanto, basta saber que o termo tem origem grega e une o prefixo “a” (negação) e a palavra “pneia” (respirar). Apneia, portanto, é a privação da ventilação.

A prevalência do ronco

Em função de diferenças anatômicas, os homens roncam mais do que as mulheres: as gargantas masculinas são mais largas e longas; por isto, elas não são totalmente obstruídas quando se respira pela boca e esta interdição incompleta acaba provocando os bizarros sons noturnos. Isto não significa, no entanto, que as mulheres estejam preservadas do problema.

Os obesos roncam mais do que os magros, em função dos depósitos de gordura fixados na região do pescoço, que pesam sobre os músculos. O “privilégio” do ronco sempre foi dos adultos, mas, hoje em dia, dez por cento das crianças apresentam esta condição.

É preciso prestar atenção a este sintoma, que pode significar a presença de apneia do sono, fator que pode prejudicar o coração, o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Os sinais seguintes indicam a necessidade de procurar um otorrinolaringologista:

• cabeça estendida ou esticada para trás – trata-se de uma forma de manter abertas as vias aéreas, uma forma de evitar ou atenuar a apneia do sono;

• enurese noturna – o xixi na cama é causado pelo descontrole dos hormônios que regulam a produção de urina e a micção;

• suor noturno excessivo – é causado pela excitação do sistema nervoso simpático durante o sono, que é desregulado pela falta de oxigênio;

• retração das costelas – é determinado pelo esforço exagerado para inspirar o ar;

• TDAH falso – o diagnóstico incorreto do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, determinante do baixo rendimento escolar e até mesmo da agressividade, pode ser provocado pela apneia do sono.

Além disto, crianças que apresentam hipertensão arterial e síndrome de Down apresentam mais comumente o ronco noturno. A apneia do sono afeta 30% das crianças obesas, que têm mais dificuldade para combater o peso excedente e outras doenças metabólicas.

O ronco

Quem ronca certamente não é o primeiro a se conscientizar desta condição, na maioria das vezes identificada por membros da família. O som, produzido pelas vibrações, na região da faringe, provocadas pela expulsão forçada do ar. As vítimas, no entanto, não são apenas os colegas de quarto.

Além do constrangimento, especialmente quando é necessário passar a noite fora de casa, o problema pode ser causado por algumas condições inadequadas ou indicar a presença de doenças, algumas delas bastante graves.

As dicas para deixar de roncar

Os hábitos relacionados a seguir favorecem o ronco. Resolvê-los ou superá-los pode significar o fim do problema:

• sobrepeso e obesidade – o sinal mais visível dos quilos extras é o abdômen saliente, mas a gordura excessiva também se deposita na região do pescoço. Esta condição prejudica a passagem do ar; a faringe, canal que conecta as narinas e a boca à laringe e ao esôfago, se torna mais estreita, produzindo os roncos. Isto não significa que os magros não ronquem, apenas que as probabilidades são menores;

• consumo de bebidas alcoólicas – o álcool, assim como alguns medicamentos sedativos, relaxa toda a musculatura. Durante o dia, isto não chega a ser um problema (pelo menos em relação aos roncos), mas, à noite, enquanto dormimos, o resultado é um afrouxamento intenso dos músculos do pescoço. Mesmo quem não ronca regularmente pode ter o problema depois de ingerir uns drinques a mais;

• decúbito dorsal – este “palavrão” descreve apenas a posição escolhida para o sono: dormir de costas. É a pior posição para quem ronca: até a força da gravidade atua em favor dos ruídos, pressionando os músculos do pescoço para baixo. Além do estreitamento da faringe, a língua (que também é um músculo) se expande, toca o palato mole e dificulta a passagem do ar;

• dentição desalinhada – este pode ser um círculo vicioso. Os dentes em desalinho podem contribuir para os roncos, mas a dentição incorreta pode ser resultante da respiração pela boca. A solução é multidisciplinar, dependendo do trabalho do dentista e do otorrinolaringologista;

• apneia do sono – é uma doença caracterizada pela redução na oxigenação do sangue, devida a interrupções na respiração causadas pelo estreitamento das vias aéreas superiores (do nariz à glote), formadas pelas narinas, seios da face, faringe, laringe e pregas vocais. Com o diagnóstico da apneia do sono, é possível iniciar o tratamento e dar fim à “sinfonia noturna”;

• alergias respiratórias – pessoas que sofrem com rinites e sinusites (mas também os que estão “convivendo” com resfriados e gripes) estão frequentemente com o nariz entupido, o que pode contribuir para o roncar. Nestes casos, os ruídos podem ser decorrentes do esforço excessivo para respirar ou de uma alternativa bastante eficiente para contornar o problema: respirar pela boca. Afinal, o suprimento de oxigênio é fundamental para as atividades orgânicas;

• problemas anatômicos – infecções frequentes nas amígdalas e adenoides podem atravancar o fluxo nas vias aéreas superiores. O desvio do septo nasal, uma parede constituída por osso, cartilagem e mucosas que separa as narinas, é outro condição favorável aos roncos. O desvio pode ser congênito ou manifestar-se na infância, em função do desenvolvimento anômalo dos ossos da face.

Algumas soluções

O uso de dilatadores nasais é recomendado tanto para dormir com mais conforto, quanto para melhorar o desempenho nas atividades físicas. São acessórios simples: apenas adesivos de pequenas dimensões, colocados sobre o nariz, para evitar que as abas das narinas se fechem, dificultando ou obstruindo a passagem do ar.

Os dilatadores nasais reduzem a respiração bucal e, desta forma, ajudam a prevenir os roncos. Eles também evitam o ressecamento da garganta. Os especialistas, no entanto, não indicam o uso, que deve ser encarado apenas como um paliativo. Os dilatadores podem trazer benefícios para quem tem a válvula nasal flácida.

A faixa anti-ronco, também conhecida como cinta de queixo, é uma solução simples para deixar de roncar. Trata-se basicamente de uma faixa de tecido colocada embaixo do queixo, para impedir que a mandíbula caia, facilitando a respiração bucal.

Com a boca fechada, o relaxamento dos músculos da boca e da garganta são controlados e a inspiração do ar ocorre principalmente através das narinas. Geralmente, os resultados são positivos. A faixa, no entanto, não deve ser usada em casos de congestão nasal, nos quais a respiração pela boca é bem-vinda, como forma de garantir o suprimento de oxigênio para todas as células do nosso corpo.

Mais dicas para parar de roncar

A hortelã é um produto efetivo para deixar de roncar, sobretudo nos casos de obstrução causados por excesso de secreção, comuns nas gripes e resfriados. Com um gargarejo feito com uma gota de óleo essencial da erva para um copo (200 ml) de água fria, a garganta é refrescada, facilitando a passagem do ar e amenizando os roncos.

A urtiga, apesar de ser mais conhecida pelas ardências e irritações causadas à pele humana, traz diversos benefícios à saúde. No caso dos roncos, a erva é indicada para pessoas alérgicas à poeira e aos pelos de animais. As folhas secas podem ser encontradas em casas de ervas medicinais ou de produtos naturais. O chá de urtiga é considerado um anti-histamínico natural. Beba-o antes de se deitar.

Os chás de gengibre e de erva-doce (que podem ser combinados) são úteis para reduzir a acidez estomacal, que também está na gênese dos roncos. Se for este o caso, prepare a infusão de sua preferência e beba antes de ir dormir.

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