Hábitos que danificam o fígado

O fígado é a maior glândula do corpo humano. Conheça alguns hábitos que danificam este órgão.

Além de ser a maior glândula, o fígado é o segundo maior órgão do nosso corpo (depois da pele, que corresponde a até 15% do peso total). O fígado, que pesa entre 1,3 e 1,5 kg em um homem adulto, funciona tanto como glândula exócrina, como endócrina; o órgão libera substâncias no sangue e na linfa e também através de canais que se ligam ao duodeno, por exemplo. Diversos hábitos cultivados no dia a dia danificam seriamente o fígado e estruturas adjacentes, como a vesícula biliar.

O fígado está localizado na porção superior direita do abdômen (hipocôndrio direito), logo abaixo do diafragma. Um grande vaso sanguíneo, a veia porta (formada pela união da veia esplênica, que nasce no baço, e da veia mesentérica superior, que nasce no complexo jejuno-íleo), é responsável por drenar o sangue do sistema digestório (estômago, intestino, baço, pâncreas, etc.).

O órgão desempenha funções vitais para o funcionamento do metabolismo. As principais são as seguintes:

• síntese de vitaminas;

• estocagem de glicogênio, para suprir as necessidades energéticas do organismo especialmente em períodos de jejum prolongado;

• eliminação de toxinas ingeridas ou produzidas pelo organismo (como o álcool, por exemplo);

• filtragem mecânica de parte dos agentes patogênicos presentes na circulação sanguínea e linfática;

• armazenagem e síntese das vitaminas A, B12, D, E e K;

• produção da bílis (armazenada na vesícula biliar), que é secretada no duodeno para quebrar as gorduras dos alimentos;

• conversão da amônia em ureia (a partir de amônia e gás carbônico), fundamental para a digestão das proteínas;

• destruição das hemácias (glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio e ferro para todo o corpo) que perderam a funcionalidade.

As atitudes nocivas ao fígado

Enquanto alguns hábitos que danificam o fígado são bastante conhecidos – como o abuso das bebidas alcoólicas, por exemplo – outros pequenos erros do dia a dia podem passar despercebidos. E, uma vez que o órgão desempenha funções essenciais para o bom funcionamento do organismo, qualquer pequena falha pode acarretar consequências mais ou menos graves.

O colesterol elevado

O colesterol é um álcool de cadeia longa que está presente na constituição e reparação das membranas celulares dos mamíferos. O composto, cuja produção é realizada majoritariamente pelo organismo (apenas pequena parte é adquirida através da alimentação), é transportado através do plasma sanguíneo de todos os animais.

No entanto, esta substância, para ser útil às funções orgânicas, precisa estar em equilíbrio. O excesso de LDL (o chamado colesterol ruim) deve ser eliminado – e o fígado é um dos órgãos responsáveis por esta excreção. O órgão, no entanto, apresenta limitações.

Caso os níveis de LDL estejam elevados (condição popularmente chamada de colesterol alto), o acúmulo provoca depósitos nos vasos sanguíneos, desenvolvendo placas escleróticas, que dão origem a doenças cardiovasculares. Parte da substância, contudo, permanece no fígado e pode gerar esteatose hepática – o fígado gorduroso. No médio prazo, esta anomalia leva à cirrose hepática e até mesmo ao surgimento de neoplasias (tumores malignos).

O LDL é fornecido principalmente pelas carnes vermelhas, em especial os cortes com muita gordura intramuscular, como picanha, acém, alcatra, contrafilé, costela, fraldinha e cupim. Outras fontes do colesterol ruim são: gema de ovo, açúcar e alimentos muito condimentados.

Para uma pessoa saudável, não é necessário eliminar nenhum destes pratos. Basta reduzir o consumo e contrabalançá-lo com a ingestão de verduras, legumes, frutas, alimentos ricos em fibras solúveis e insolúveis e cereais integrais.

Álcool e fígado

As bebidas alcoólicas são as piores inimigas do fígado. O órgão é o responsável por sintetizar o álcool e transformá-lo em glicose, mas o excesso (ou o consumo muito frequente) estabelece uma sobrecarga, impedindo que o fígado desempenhe a contento as demais funções.

O alcoolismo rompe definitivamente o equilíbrio bioquímico do fígado e, no médio prazo, destrói gradativamente as células hepáticas, gerando um círculo vicioso: o órgão, já debilitado, cada vez menos consegue sintetizar gorduras, proteínas e vitaminas, o que provoca uma série de debilidades. O avanço das enfermidades compromete o funcionamento dos rins, pâncreas, baço e até mesmo dos pulmões.

O xixi matinal

Em função da correria do dia a dia ou até mesmo por causa do cultivo de um hábito nada saudável, muitas pessoas se esquecem de esvaziar a bexiga logo depois de despertar pela manhã. Esta atitude impede a eliminação de toxinas, que podem retornar à corrente sanguínea, prejudicando o funcionamento de vários órgãos.

Com o passar do tempo, o organismo se habitua. A bexiga deixa de dar o “sinal de alerta” logo que deixamos a cama. Pode parecer um fato corriqueiro – afinal, em algum momento da manhã, a micção se tornará imperiosa.

Mas, mesmo quando deixamos para fazer xixi depois de chegar ao trabalho ou à escola, o hábito é prejudicial e danifica o fígado e os rins, órgãos responsáveis por excretar toxinas como ureia e ácido úrico. Durante o dia, segurar a urina também prejudica o fígado no longo prazo.

Dormir tarde

Desde que os nossos ancestrais começaram a se fixar (em cavernas, cabanas e aldeias), o Homo sapiens passou a desenvolver um ciclo de sono mais longo (por volta de oito horas diárias). Este fato estabeleceu um “cronograma de desintoxicação” durante o repouso noturno.

O sistema linfático é o primeiro a eliminar toxinas. No caso de uma pessoa que se recolhe às 22 horas, este processo ocorre ainda na fase do sono leve. Entre 0h e 2h, o fígado começa a sofrer a desintoxicação, na etapa do sono profundo.

Quando este ciclo é interrompido, o organismo se ressente e pode desenvolver doenças, uma vez que o processo não é completado. Por isto, é importante manter uma “rotina do sono”, para que o organismo possa se restabelecer, os músculos relaxem e o fígado complete a limpeza.

O café da manhã

Muitos nutricionistas afirmam que o desjejum é a principal refeição do dia. Durante a noite, o organismo passa a trabalhar em ritmo menos acelerado (é o metabolismo basal, a energia mínima necessária para que o corpo se mantenha nutrido).

Mesmo assim, o consumo energético não é interrompido e, quando acordamos pela manhã, as nossas reservas de glicose (substância que, combina com gás oxigênio, fornece energia para as células desempenharem as suas atividades) estão baixas: é necessário recuperar estes estoques.

Esta é a principal função do café da manhã. Sem este abastecimento, o fígado perde parte da capacidade de desempenhar as suas funções. O dia começa mal e tende a permanecer assim durante horas, até a ingestão da primeira refeição.

Muitas pessoas “pulam” o café da manhã numa tentativa de emagrecer, mas isto só provoca fadiga e fome durante todo o período matutino – com os riscos elevados de ingerir alimentos inadequados, como frituras, por exemplo.

Alimentação inadequada

Em tempos de fast food, comer de forma errada faz parte da rotina de boa parte da população. Trocar o almoço por um sanduíche gorduroso e nutricionalmente pobre, no entanto, é uma atitude que danifica todo o sistema digestório e seus anexos – o fígado, entre eles.

Churrasco, alimentos industrializados e macarrão instantâneo também fazem parte da dieta de muita gente. A justificativa é a rapidez no preparo e, claro, o sabor proporcionado pela ingestão de gorduras. O fígado, porém, é um órgão muito sensível ao consumo excessivo de “porcarias”: açúcar, sódio e alimentos hipercalóricos prejudicam a pressão arterial, aumentam o nível de LDL e contribuem para o fígado gorduroso.

Descontrole das emoções

Este fato é conhecido há milênios: a medicina tradicional chinesa já relacionava os efeitos provocados pelas emoções em nosso organismo. Além de ser prejudicial aos relacionamentos pessoais e profissionais, a raiva, por exemplo, é uma das principais condições que danificam o fígado.

Os indivíduos que não conseguem gerar respostas positivas para as emoções – positivas ou negativas – que nos assaltam diariamente são sérios candidatos ao desenvolvimento de doenças, que podem se tornar crônicas. Algumas pessoas mais sensíveis relatam que a raiva causa pressão e até ardor no peito. Com o tempo, esta emoção passa a interferir diretamente no fígado.

Outras emoções fazem parte dos geradores de danos ao fígado: frustração, ressentimento, irritação, mágoa, rancor e ansiedade são as principais. Os transtornos são precedidos por alguns sinais: insônia, indigestão, problemas de visão e de pele (como o surgimento de rugas e linhas de expressão) e manchas escuras no rosto.

É muito importante proceder a uma autoanálise para que seja possível identificar o que está causando irritação, que pode ocorrer em casa, nos relacionamentos amorosos, no trabalho, etc. Uma vez encontrada as fontes dos males, é necessário encontrar formas adequadas para superá-las.

Outros fatores

Alguns hábitos aparentemente inofensivos também prejudicam o fígado. O sobrepeso e a obesidade exigem esforços cada vez maiores do órgão que pode, em qualquer momento, simplesmente deixar de funcionar de maneira adequada. A esteatose hepática acomete 80% das pessoas acima do peso ideal.

A automedicação também é prejudicial. Especialmente entre os brasileiros, é muito comum recorrer a algum remédio que “fez bem” para um parente ou amigo, sem nenhuma orientação médica. Apesar de haver medicamentos vendidos sem prescrição, a maioria das drogas requer avaliação clínica, para impedir eventuais efeitos colaterais. Os suplementos vitamínicos sem necessidade também pode se transformar em venenos.

Mesmo alguns chás caseiros podem prejudicar o fígado. O chá verde em excesso pode levar à insuficiência hepática. Vale o mesmo para diversas ervas, como cavalinha, cáscara-sagrada, espinheira santa e picão preto. Não é necessário eliminar estas infusões: basta restringir o consumo total a três xícaras por dia.

Por fim, é importante prevenir a hepatite C, transmitida através de sangue contaminado (o vírus permanece ativo por até quatro dias fora do corpo humano). Além das transfusões, que podem ser inevitáveis, a doença pode ser evitada com cuidados simples:

• não partilhar seringas;

• não partilhar instrumentos de higiene pessoal e de manicure (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente alicates de unhas e cutículas, lixas, etc.);

• certificar-se da idoneidade de estúdios de tatuagem (as agulhas, preferencialmente, devem ser descartáveis);

• usar preservativo nas relações sexuais.

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