Corrimento vaginal: causas e tratamento

Trata-se de um incômodo bastante comum. Conheça as causas e o tratamento para o corrimento vaginal.

Em geral, o corrimento vaginal fisiológico é uma medida profilática do organismo: é uma combinação de líquidos e células mortas eliminadas (da pele e do colo do útero). Toda mulher apresenta este conteúdo. A diferença entre o conteúdo normal e o corrimento vaginal está na cor, odor e no aumento do volume.

O corrimento se origina na vagina e só se torna perceptível no fim do canal entre o colo do útero e a vulva. Toda mulher em idade reprodutiva apresentam este corrimento vaginal, composto de células mortas, bactérias que colonizam naturalmente a região e secreção de muco; isto só se torna suspeito quando surgem alterações. Um volume de um a quatro mililitros é o suficiente para umedecer, lubrificar e manter a vagina limpa, dificultando a instalação de infecções.

Este conteúdo, no entanto, é estimulado pelo estrogênio; por isto, o volume pode ser maior durante períodos em que há maior estimulação hormonal, como a gestação, o uso de anticoncepcionais à base de estrogênios e no período da ovulação.

Apesar de o odor natural ser inespecífico e o conteúdo variar de mulher para mulher, sempre de acordo com as fases do ciclo menstrual, o corrimento vaginal apresenta características específicas, que toda paciente deve saber identificar.

O corrimento vaginal fisiológico é branco ou transparente, espesso, leitoso e com odor fraco. As principais características do corrimento normal são a ausência de dor, coceira, ardência, vermelhidão ou irritação na vagina ou na vulva. Contudo, algumas mulheres podem apresentar uma discreta irritação na região íntima, sem que isto signifique a presença de enfermidade.

Antes da primeira menstruação (menarca) e depois da menopausa, o conteúdo das secreções é praticamente nulo, em função dos baixos níveis de hormônios. Na gravidez, o corrimento vaginal apresenta um aumento considerável.

O ciclo menstrual

Como regra, o ciclo menstrual tem duração de 28 dias e é dividido em três fases. No entanto, os especialistas consideram normal um ciclo entre 25 e 35 dias. Mulheres com problemas de saúde como ovários policísticos podem apresentar ciclos mais curtos ou mais longos.

O ciclo menstrual apresenta três etapas:

• fase folicular – dura aproximadamente 15 dias (podendo variar de dez a 25), desde o primeiro dia de sangramento até a rápida elevação do hormônio luteinizante (LH), que leva à ovulação;

• fase ovulatória – dura aproximadamente dez dias e é quando ocorre a ovulação, geralmente na primeira metade da fase. Em um ciclo regular de 28 dias, a ovulação ocorre no 14º;

• fase luteínica – dura aproximadamente 16 dias e tem início com o formação do corpo lúteo. Ao final, este corpo degrada-se (ou mantém-se ativo, no caso de uma gravidez) e prepara o útero para a menstruação seguinte.

Os sinais do corrimento vaginal anormal

O corrimento vaginal não é uma condição normal em determinadas situações, apesar de muitas mulheres conviverem com ele durante anos. A condição é caracterizada por:

• aumento do volume do conteúdo vaginal;

• umedecimento das roupas íntimas diariamente (às vezes, este desconforto passa para as roupas sociais);

• variação da cor, que pode se apresentar como amarelo acinzentado, esverdeado ou esbranquiçado;

• odor fétido, especialmente depois de uma relação sexual e no final do ciclo menstrual.

Além disto, o corrimento vaginal pode estar associado à coceira na vagina ou na vulva (a parte externa do órgão genital feminino, constituída pelos pequenos e grandes lábios e pelo clitóris, na parte superior). Os pequenos lábios envolvem a abertura da vagina e do canal urinário.

Outros sintomas do corrimento vaginal são: ardência e coceira na região, dor pélvica (que pode ser semelhante a uma cólica ou uma dor abdominal), ardência e dor ao urinar ou durante as relações sexuais.

As causas

Na maioria dos casos, o corrimento vaginal é provocado por alterações da flora vaginal. O pH da vagina é ácido, oscilando entre 3,8 e 4,2 (a neutralidade do pH é fixada em 7,0). Esta redução é a condição ideal para a destruição dos bacilos de Doderlein (lactobacilos que se nutrem de glicogênios e povoam naturalmente a região vaginal), que normalmente povoam uma vagina saudável. A redução do nível destes bacilos é a principal causa de irritações e inflamações que causam o corrimento vaginal.

A vaginose bacteriana é a principal causa do corrimento vaginal anormal. A redução dos bacilos de Doderlein (os micro-organismos “bons”) vem sempre acompanhada de uma elevação da população de bactérias aeróbicas (os micro-organismos “ruins”). O corrimento causado é fino, de odor forte e acinzentado. Outros sintomas, como dores e coceira estão ausentes na maioria dos casos.

Um ambiente mais ácido pode causar a candidíase (gerada por qualquer fungo do gênero Candida, que povoa a região da vagina e da vulva), que provoca um corrimento esbranquiçado semelhante ao creme de leite. Muito raramente, a candidíase pode se internalizar e, em casos raros, chegar a provocar uma septicemia.

Quando o pH se torna mais alcalino, pode ocorrer a proliferação excessiva de tricomonas e também causar a vaginose bacteriana, caracterizada pelo mau cheiro – bastante perceptível, semelhante ao cheiro de peixe estragado. A candidíase se manifesta por coceira, dor ao urinar e durante as relações sexuais, corrimento sem odor forte, semelhante ao do queijo cottage.

O odor é devido à volatilização de aminas (principalmente cadaverina e putrescina, normalmente produzidas tanto em tecidos vivos quanto em estado de decomposição) geradas pelos germes. O corrimento vaginal apresenta corrimento amarelado ou acinzentado.

Depois da menopausa, com a carência de estrogênio, as mulheres podem apresentar atrofia vaginal. Este hormônio estimula o corrimento fisiológico e a sua falta provoca o ressecamento e afinamento da mucosa vaginal. A atrofia pode gerar inflamações, com corrimento anormal, dores para urinar e durante as relações sexuais.

Outros fatores podem gear o corrimento vaginal:

• maus hábitos de higiene;

• relações sexuais casuais;

• produtos alergênicos (sabonetes, géis contraceptivos, alguns tecidos sintéticos das roupas íntimas, duchas vaginais, etc.);

• problemas dermatológicos (dermatites atópicas, que têm como principais sintomas a coceira e a irritação, e psoríase, uma doença autoimune não infecciosa caracterizada por manchas vermelhas, prurido e escamação);

• diabetes, queda imunológica (por estresse ou doença) e uso prolongado de antibióticos. Todas estas condições provocam alterações na flora vaginal, assim como a menstruação, a menopausa e a gravidez. O uso de pílulas anticoncepcionais, o diabetes não controlado e falhas no sistema imunológico também são condições que provocam o corrimento vaginal;

• algumas reações alérgicas podem causa o corrimento anormal. As mais comuns são ao látex dos preservativos, sabonetes, perfumes e outros produtos de higiene íntima, cremes e géis espermicidas;

• outras causas menos comuns são a infecção por HPV, câncer do colo do útero, herpes genital, infecção por oxiúros e, muito raramente, invasão da vagina por órgãos estranhos (como preservativos e absorventes internos).

Os sintomas

A cor da secreção vaginal, normalmente esbranquiçada, pode mudar durante o ciclo menstrual, sem que isto indique necessariamente uma doença. As cores, no entanto, podem indicar problemas mais ou menos sérios.

Quando o corrimento vaginal apresenta diferenças na cor, espessura ou cheiro, são sinais que podem indicar tricononíase, candidíase ou uma DST (doença sexualmente transmissível). Este é o momento de procurar o ginecologista.

Um corrimento branco e espesso pode ser causado por candidíase vaginal. O problema é causado por um fungo (Candida albicans) e é tratado com medicamentos fungicidas (drágeas ou pomadas). Quando o cheiro fica semelhante ao de peixe, no entanto, é indicativo de colpite, uma infecção na vagina e colo do útero causada por protozoários, fungos ou bactérias. Esta última doença é bastante comum em mulheres com vida sexual ativa.

Alguns sinais servem de alerta:

• aumento do conteúdo do corrimento (sempre observando-se a fase do ciclo menstrual);

• corrimento que encharque a calcinha ou molhe a roupa social;

• variação da cor, do branco cristalino para o branco-amarelado, amarelado parecido com pus, amarelo-esverdeado, acinzentado, etc.;

• odor fétido, especialmente depois das relações sexuais e no final do período menstrual;

• incômodos – dores ao urinar e durante as relações sexuais, sangramentos fora do período da menstruação, ardor, dores e coceira na pélvis, na vagina e na vulva (vale lembrar que apenas a vulva é visível externamente; a vagina é um canal interno).

DSTs

Diversas doenças sexualmente transmissíveis são causas do corrimento vaginal. A gonorreia e a clamídia são DSTs transmitidas respectivamente pelas bactérias Neisseria gonorroheae e Clamydia trachomatis. As duas doenças causam infecção do colo do útero (cervicite), com corrimento amarelo turvo, semelhante ao pus. Outros sintomas são as dores ao urinar e durante as relações sexuais, geralmente seguidas de dor, irritação e sangramento pós-coito.

A triconomíase é transmitida pela bactéria Trichonomas vaginalis. A vaginite (ou vulvovaginite, quando a vulva também é afetada pela infecção) gera um corrimento fino, amarelo-esverdeado e de odor desagradável. Esta DST também apresenta dor ao urinar e nas relações sexuais, sangramento durante o coito e irritação na vulva. Geralmente, a bactéria só se manifesta em períodos de baixa imunidade, tornando difícil estabelecer o momento da infecção.

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