Agravantes das alergias respiratórias

As alergias respiratórias são mais comuns nos períodos frios, mas podem surgir a qualquer momento. Conheça os agravantes.

As alergias respiratórias são doenças bastante desagradáveis: fazem com que o paciente perca o fôlego, induzem a estados de apatia e cansaço e ocupam um tempo considerável, consumido com espirros, tosse e higienização das narinas. Alguns sintomas, no entanto, podem ser neutralizados com algumas medidas simples.

Especialmente no outono e inverno, os prontos-socorros ficam lotados de crianças e adultos com crises de bronquite, asma, rinite e sinusite, além das gripes, resfriados, pneumonia a até tuberculose. O principal motivo é que as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes fechados e sem ventilação, o que facilita a infecção por vírus e bactérias.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), três em cada dez brasileiros sofrem com algum tipo de alergia respiratória. Além do desconforto causado pelos sintomas, estas doenças são responsáveis por comprometer a qualidade de vida e se traduzem até mesmo em problemas financeiros, com as faltas e atrasos ao serviço. Algumas providências, no entanto, podem atenuar as alergias e os agravantes provocados por elas.

Combate aos ácaros

Ácaro é uma designação comum a diversos membros da Acari (subclasse que abrange mais de 500 mil espécies), da classe dos aracnídeos (a mesma das aranhas, lacraias e escorpiões). Os maiores espécimes não chegam a atingir um milímetro de comprimento, mas eles são responsáveis por muitos estragos.

A ASBAI calcula que praticamente a totalidade dos brasileiros portadores de asma (10% da população total) desenvolvam alergias aos ácaros. Pacientes com rinite (26% da população) e sinusite (pouco mais de 20%) também sofrem com esta condição.

Para evitar agravantes das alergias respiratórias, os especialistas recomendam que os ambientes sejam iluminados e arejados. Tapetes, cortinas e estofados com tecidos devem ser muito bem higienizados com aspirador de pó e, no caso das cortinas, é melhor escolher as tramas mais abertas.

No quarto das crianças (e também de alguns adultos), é preciso evitar a decoração dos bichinhos de pelúcia, ninhos perfeitos para os ácaros.

A roupa de cama e as toalhas de banho devem ser trocadas a cada sete dias, os colchoes, higienizados a cada três meses e a mesa de jantar não pode ficar coberta por uma toalha durante o dia todo.

Os pelos de cães e gatos e as penas de alguns pássaros são, em si, um agente alergênico natural e este fator pode ser agravado com a presença dos ácaros. Portanto, é preciso escovar os animais de estimação regularmente (especialmente os de pelagem longa) e não negligenciar dos banhos e tosas.

Microinimigos

Toda infecção viral ou bacteriana das vias aéreas prejudica o funcionamento de todo o sistema respiratório. Gripes, resfriados, pneumonias e tuberculose irritam os brônquios e podem provocar efeitos paralelos, como amigdalite, faringite e laringite. Estas doenças reduzem as defesas imunológicas e causam alergias respiratórias.

É importante lembrar que, no caso das infecções virais, o uso de antibióticos é absolutamente inócuo, a menos que haja uma bactéria associada ao quadro clínico. A vacina contra a gripe (gratuita para idosos, grávidas e no pós-parto, crianças de seis meses a cinco anos, doenças crônicas, indígenas e pacientes crônicos), normalmente ministrada entre maio e junho, não deve ser negligenciada, já que os vírus sofrem mutações extremamente frequentes e novos subtipos se desenvolvem a cada ano.

O tabaco

De acordo com especialistas, o vício do fumo não causa bronquites, nem asmas. No entanto, o portador destas doenças pode ter as crises alérgicas bastante aumentadas se não renunciar ao hábito. Os fumantes passivos (pessoas que respiram constantemente a fumaça exalada) também sofrem na convivência com os viciados.

Estudos indicam que os fumantes passivos – especialmente as crianças – têm mais probabilidade de contrair alergias respiratórias. A exposição provoca dispneia (falta de ar), cansaço e é uma porta aberta para muitas doenças, inclusive do aparelho digestório.

Cuidado com a malhação!

A prática de atividades físicas é muito importante para controlar doenças e alergias respiratórias. Qualquer atividade aeróbica – caminhar, correr, nadar, pedalar, etc. – promove o fortalecimento do aparelho cardiorrespiratório, diminuindo a frequência e intensidade de crises de asma ou bronquite, por exemplo.

Os exageros, no entanto, podem ser muito prejudiciais, por afetar todos os órgãos do sistema respiratório, das narinas aos pulmões. O ideal é dar início aos exercícios de forma gradual, sempre depois de se submeter a avaliações médicas. A intensidade das séries pode ser ampliada com a orientação de um educador físico.

Os aromas

Alguns produtos de uso corrente podem colaborar para agravar as alergias respiratórias. Os mais comuns são os artigos de limpeza, mas, felizmente, existem diversas opções no mercado. A solução, neste caso, é o método de tentativa e erro: experimentar marcas diferentes até encontrar a mais adequada. As mais recomendadas são as com menor concentração de cloro, amoníaco, óleo de alcatrão mineral e creosoto. Outra medida importante é evitar comprar itens vendidos a granel.

Tintas de parede, vernizes, cosméticos (especialmente o esmalte), algumas especiarias e tinturas e alisantes para cabelos, que também irritam as vias respiratórias, completam a lista dos produtos que podem agravar as crises alérgicas.

Flores e abelhas

O pólen é um dos principais agentes alergênicos. Ele é transportado de flor em flor por abelhas e borboletas, garantindo, desta forma, a reprodução dos vegetais (é importante lembrar que a flor é o órgão sexual das plantas angiospérmicas).

Indivíduos portadores de rinite alérgica ou de sinusite, no entanto, precisam renunciar ao prazer de manter flores em casa – em alguns casos, até mesmo no jardim. O pólen obriga o organismo humano a liberar diversas substâncias. Entre elas, está a histamina. Em razão disto, surgem agravantes como irritação das narinas e da garganta, inchaço e aumento da produção de muco.

Tantas emoções

As alergias emocionais são desencadeadas por fatores psicossomáticos. Apesar de a maioria das pessoas imaginar que mente e corpo são esferas separadas, o que está ocorrendo na mente facilmente se traduz em problemas físicos.

Este tipo de alergia surge como uma resposta exagerada do sistema imunológico. Por exemplo, ao enfrentar uma crise, o indivíduo pode desenvolver processos alérgicos quando se expõe a uma substância, que, em condições normais, não seria de forma alguma nociva.

As alergias emocionais podem acompanhar o estresse, a tensão mental, as mudanças súbitas de humor, síndrome do pânico, ansiedade excessiva, depressão e outros distúrbios. Os portadores de alergias podem experimentar um agravamento dos sintomas durante os períodos de crise.

O simples fato de ficar muito nervoso, sentir tristeza ou até mesmo alegria pode agravar uma alergia respiratória.

Qualquer sentimento forte obriga o corpo a contrair e mesmo bloquear os brônquios, e isto ocorre em qualquer faixa etária: uma criança preocupada com uma prova, um adulto ansioso pela participação em um encontro profissional e um idoso que se sinta inútil ou desmotivado podem deflagrar estes distúrbios incômodos.

Um dos principais agravantes das alergias emocionais é a dor de cabeça, que pode ser constante, latejante ou em salvas. Os pacientes precisam encontrar uma forma para enfrentar o problema. Cada um tem a sua: pode ser cuidar das plantas, observar os peixes de um aquário, fazer caminhadas e outros exercícios: é necessário identificar a estratégia mais eficaz.

Sobe e desce

Mudanças drásticas da temperatura, bastante conhecidas pelos moradores das regiões Sul e Sudeste, também são agravantes das alergias respiratórias. As variações entre calor e frio irritam as vias respiratórias – das narinas aos bronquíolos.

Brônquios e bronquíolos se contraem com a entrada do ar mais quente ou mais frio. Isto provoca sensação de falta de fôlego e até mesmo de asfixia. A recomendação é não negligenciar dos agasalhos, para manter o conforto térmico.

Os pacientes nesta condição precisam evitar a prática de atividades ao ar livre nos períodos mais frios (como a noite), uma vez que a inalação de ar em temperatura diferente à nossa temperatura interna (para mais ou para menos) é um dos gatilhos para agravar as alergias respiratórias.

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