Obesidade na adolescência

Além dos problemas de saúde, ela pode gerar problemas sociais. Conheça as causas e consequências da obesidade na adolescência.

A obesidade é uma condição médica caracterizada pelo acúmulo de tecido adiposo superior a 20% do peso corporal. Trata-se de uma doença prejudicial em todas as etapas da vida. Na adolescência, ela pode provocar também isolamento e, como esta fase é repleta de descobertas, os resultados podem de prolongar por toda a vida.

A obesidade na adolescência é um fator que concorre para a geração de obesidade mórbida, que se prolonga por décadas e pode ter como solução apenas uma cirurgia de redução de estômago (gastroplastia ou cirurgia bariátrica).

Especialmente nos jovens, a obesidade aumenta a probabilidade de ocorrência de várias outras doenças, como as enfermidades cardiovasculares (aterosclerose, aumento dos triglicerídeos e do colesterol ruim, etc.), diabetes tipo 2, apneia do sono, alguns tipos de câncer e artrite. As causas são várias: fatores hereditários, dieta hipercalórica (com a ingestão exagerada de energia, sem o consumo das mesmas) e falta de atividade física. Em alguns casos mais raros, transtornos mentais e o uso prolongado de alguns medicamentos pode ser a causa do ganho de peso.

Atualmente, no entanto, a obesidade na infância e na adolescência tem sido causada, na maioria das vezes, pelo “excesso de oferta”: fazer refeições em fast foods é prático, rápido e barato, mas o exagero de gorduras e açúcares rapidamente acarreta problemas. Crianças de dois ou três anos já sofrem com os efeitos da alimentação inadequada.

Brasileiros

Os brasileiros estão engordando. Nas décadas de 1980 e 1990, em função do desemprego e de outros fatores econômicos, como a hiperinflação, o grande problema nutricional do país era a desnutrição. Atualmente, mesmo as classes C e D estão consumindo mais gorduras e açúcares; isto provoca aumento do sobrepeso, inclusive entre crianças e adolescentes.

No país, 23% das mulheres – ou 18 milhões – são obesas. O número de homens é menor, 11,7 milhões (17% do total). É quase um quarto da população no total. E ainda assim, a população masculina fica atrás apenas dos EUA e China. As mulheres ocupam uma posição melhor, ficando atrás também da Índia e da Rússia. Os números são absolutos, de acordo com um ranking organizado pela BBC (British Broadcast Corporation, uma emissora pública de rádio e TV).

A OMS

Isto significa que, percentualmente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), órgão subordinado à ONU (Organização das Nações Unidas), a população brasileira (somos mais de 200 milhões de habitantes) é proporcionalmente muito mais obesa do que a chinesa (1,35 bilhão de habitantes), a indiana (1,25 bilhão) e a americana (quase 300 milhões de habitantes), mesmo com a adoção das muitas gorduras em seu cardápio.

Os pais obesos transmitem diretamente a obesidade para os filhos adolescentes. O ditado “faça como eu digo, não faça como eu faço” não funciona neste caso (aliás, não funciona em caso nenhum). As crianças crescem observando os pais e copiando os hábitos que eles cultivam. A lógica é obvia: pais gordos, filhos gordos.

Não é apenas no Brasil que a obesidade vem aumentando. De 1990 a 2014, sempre de acordo com a OMS, a obesidade entre garotos e garotas menores de 18 anos subiu de 31 milhões para 41 milhões. O sobrepeso entre crianças de cinco anos ou menos disparou e representa um sério problema de saúde pública. A obesidade entre crianças e jovens aumentou significativamente em mais de cem países: são 900 milhões de habitantes do planeta muito acima do peso ideal.

As causas que explicam a obesidade na adolescência são simples: elas são uma junção de fatores genéticos, falta de acesso à comida saudável, redução das atividades físicas nas escolas e desregulamentação dos alimentos gordurosos. O Brasil não estabelece nenhuma legislação específica para limitar o consumo de “porcarias”, apesar de algumas escolas fazerem um esforço para reduzir a ingestão de frituras, com a priorização de verduras, legumes e frutas.

Epidemia

A obesidade na adolescência, no Brasil, já é tratada pelos médicos como uma epidemia. Estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que o sobrepeso vem aumentando mais rapidamente no país entre as crianças e jovens, fruto da oferta de alimentos hipercalóricos, da falta de atividades físicas nas horas de lazer e, principalmente, da falta de vigilância dos pais. Os dados do instituto foram publicados na Pesquisa de Orçamentos Familiares em 2008 e são continuamente repetidos desde então.

A obesidade entre adultos já vem sendo observada há algumas décadas entre os adultos, mas só foi verificada entre os adolescentes no final dos anos 1990 e na primeira década do terceiro milênio. O processo de desnutrição também está acelerado: quanto mais frituras, menor é o consumo de alimentos saudáveis. O resultado é a menor ingestão de vitaminas e sais minerais, com prejuízo generalizado para a saúde e o bem-estar.

O que fazer?

O sobrepeso e a obesidade prejudicam especialmente o coração. A elevação do peso favorece o estabelecimento de doenças arteriais coronarianas (a principal causa de mortes no Brasil, responsável por 20% do total de mortes). Elas são caracterizadas principalmente pelo acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, a principal condição da aterosclerose.

Pressão alta, altos níveis de colesterol ruim (HDL) e bloqueios sanguíneos são os principais sintomas das doenças causadas pelo sobrepeso e a obesidade na adolescência. Estes problemas tendem a prevalecer, continuando por toda a vida.

A solução possível é a reeducação alimentar, com a adoção de novos e mais saudáveis hábitos alimentares. Não é uma saída fácil, mas é a única possível para o grave problema da obesidade na adolescência. Provavelmente, é um problema que envolve toda a família: trata-se de resolver o problema de toda a casa. É uma possibilidade difícil, mas é a possibilidade mais útil para todos.

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